Bom, hoje é aniversário do meu avô. Ele é o melhor avô do mundo, e se eu tivesse que agradecer a alguém por ser quem sou hoje, o agradeceria, juntamente com os demais membros da minha família. É claro, que todos deixam sua marca, pode ser num gesto, mania, caráter, pensamento e atos, mas cada um tem um pouco dos outros em si. Meu avô tem diabetes, e hoje se encontra numa cama, faz uns cinco anos. É claro, ele é lúcido, conversa e tal, mas é assim, cadeira cama, cama cadeira. Comia tudo que queria, doces e salgados e sempre foi muito gordinho, mas ele era feliz, então não se preocupava tanto. Mas depois a diabetes o afetou de uma forma horrível, e na verdade, até hoje não sei o que realmente o deixou doente. Sabe, eu sinto falta dele, jantando conosco todas as noites, colocando ordem nessa casa com sei lá quantas pessoas, sinto falta dos passeios de carro, das conversas e até dos lancinhos de tarde. E posso afirmar que sem dúvida, meu avô é um homem de muitos valores pra vida.
Quando eu era pequena, ele sempre esteve muito presente, lembro quando eu ia pro escritório com ele e meu pai, e ficava lá. E numa determinada hora da tarde, lá vinha um pastel maravilhoso, e daí nós fazíamos um lanchinho, pode até parecer uma coisa sem sentido de ser citado nesse texto, mas é de muito valor, passar aquele tempo, o mínimo que fosse, com meu avô, era essencial para tirar várias lições. Lembro-me de quando nós íamos ao lava jato, eu amava ir ao lava jato, porém, tinha medo. Ou quando meu avô na volta pra casa, passava pelo calçadão e comprava as batatas do gordo pra nós comermos. Ele amava e continua amando carros. A verdadeira paixão da vida dele, tirando a minha vó, é a Mercedes (um carro), que se encontra bem preservada em casa. Ah e também amava perfumes e sapatos. Recordo-me de um episódio que minha vó me contou, em que ele trouxe onze pares de sapatos pra ela. Respeito e educação são as coisas que mais admiro nele, sempre foi uma pessoa que respeita todos, não importando quem fosse sempre falou as coisas na cara das pessoas ao invés de falar nas costas. E pra ti ver como ele é fofo, mesmo depois de doente, hoje mesmo no dia do aniversário dele, agradeceu minha vó por tudo que ela faz por ele. Muito comilão, comer era uma de suas paixões, doces, salgados, o que fosse. Até tiveram alguns episódios em que flagramos ele na madruga pegando comida escondido (já que não podia comer doce). Meu vô sempre foi um cara muito carinhoso, sempre me pedia beijo, dizia, joaninha, me dê um beijo minha filha, e quando eu era pequena, chegava a ficar “de cara” de tanto beijo que ele me pedia, ele me ama muito, e eu também amo ele.
Meu vô tinha muitas manias também, a hora da janta, era a hora da janta, um horário sagrado pra ele, todos deviam estar na mesa ás oito da noite, jantando em harmonia, e se alguém começasse a brigar (como era o caso da minha dinda com meu primo, o filho dela), ele dizia para tratar disso na casa deles. E por ali acabava a briga. Gostava muito de dormir e ver televisão dormia dias e noites inteiros, só de preguiça e esse hábito segue até hoje. E sempre que tinham televisões mais tecnológicas, ele as adquiria. Quando ele chegava em casa, não importa quem estivesse vendo tv, saia, e deixava-o sentar e ver o canal que queria. E também não gostava de muita função, por exemplo, crianças com bolas dentro de casa ou até perto da porta.
Não importa o lugar, a hora nem o dia, eu amo meu avô e muito. Levo-o sempre no meu coração, nas minhas atitudes. Ele é um exemplo a ser seguido. E mesmo não estando tão bem como antes, e sabendo que não há perspectiva de melhora, não muda nada, o amor é o mesmo, a pessoa é a mesma, e as características são as mesmas, relembradas todos os dias na minha memória. Ele é meu ar, meu chão, meu orgulho, meu exemplo, é meu avô.